Memórias
Deste caso tenho amargor em recordar, talvez para alguns possa aparentar algo sem tamanho valor, mas para uma criança é bastante traumatizante. Por volta de meus 8 anos eu e meus pais visitávamos meus tios, e eles resolveram passar na padaria onde meu tio trabalhava (não pergunte por quais motivos que não recordo). Chegando lá, meus pais, minha irmã, eu, meus tios e meu primo, andamos por todo o prédio fazendo um "reconhecimento de campo", e depois seguimos para a área da panificação.
E meu primo (13 anos na época) convidou-me para subir ao terraço, que queria me mostrar uma coisa. Inocentemente fui, chegando lá ele mostrou que se tinha visão de toda a rua, e com isso colocou seu pênis, já ereto, para fora da calça como numa exibição para rua. Até então, como não tinha malícias, não fiz nenhuma suposição, porém fui surpreendido. Ele pediu que o esperasse que já voltava, e continuei lá olhando para rua, foi então que ele me agarrou por trás, intimidando-me e dando ordens. Por ora, acredito que não preciso mais comentar sobre o assunto ou fazer citações, apenas que o fato não se consumou. Consegui me desvencilhar dele e correr para meus pais, contudo, nada relatei a eles sobre o ocorrido, pois que haviam ameaças pesando sobre mim (uma criança de 8 anos).
Hoje, crianças dessa idade já possuem uma certa autonomia em relação aos seus desafetos, entretando, em minha criação fui sempre educado a respeitar e obedecer aos mais velhos, e isso juntamente as intimidações tiveram peso relevando sobre a sequência dos fatos. Por muito tempo obliterei isso, nem mesmo contei a pessoas de minha família. Os motivos de tê-lo feito? Não sei, nem posso afirmar que fiquei de todo traumatizado, apenas que fiquei remoendo por muito tempo essa história.
Não quero questionar traumas, nem mesmo cavucar no passado soluções para problemas da vida presente, nem mesmo fazer exposições de minha vida. Apenas desejo me livrar de um peso, de uma carga que carrego por anos, sem desabafar com ninguém. Uma carga de acontecimentos e pensamentos que permeiam meu ser, instigando-me, deixando-me irrequieto.
Enfim... quero registrar meu agradecimento a Sirley, que me sugeriu que começasse a "pôr num papel" todas essas coisas. Agradecer também a Zeina, amiga em tempo incondicional, sempre disposta a escutar meus lamúrios. E tantas outras pessoas que estão em meu caminho, que ma ajudam na construção de minha fortaleza e unem suas forças as minhas nas batalhas que me faço presente.
Obs.: Quero pedir desculpas pelos erros ortográficos e gramaticais. Tenho muitas dificuldades na área, e tento saná-las aos poucos... contudo, sme um bom corretor ortográfico o bicho pega também. [risos]
